Por: Azilma Garcia, Fátima Veridiana Barboza, Jeferson Pereira
Para se chegar à compreensão do trabalho Neuropedagógico é preciso descobrir o sentido e importância da aplicação do diagnóstico no atendimento de crianças e adolescentes que apresentem uma determinada queixa. Segundo Cunha (1986), a palavra é oriunda do francês diagnostic, que vem do grego diagnostikós e significa "capaz de ser discernível". Ela procede de diagnosis - discernimento, exame. O diagnóstico neuropedagógico tem este perfil de mapear as possibilidades que deram inicio a situação problema, a partir de um processo utilizado essencialmente no caminho de análise, mesmo que esta apresente dentro de um contexto familiar, escolar ou comportamental.
O neuropedagogo ao deparar-se com seu paciente deve trazer três razões para o uso do diagnóstico: primeiro, a comunicação através de trocas e transmissão de informações, segundo, adquirir um prognóstico coerente, que condiz com realidade, terceiro, gerar orientações importantes, a ideia de como agir e prosseguir a terapia. Estes três passos estão relacionados estreitamentos ao contexto histórico da criança e os aspectos do meio em que o mesmo está inserido.
No estudo apresentado observa-se uma ordem de ações que comporão o diagnóstico neuropedagógico. A partir da queixa é feito um contrato com os pais que se dispõem enquanto responsáveis, junto à escola ou o ambiente do qual se percebe o problema que apresenta a queixa. Weiss (1994) coloca-nos uma sequencia diagnóstica que segue a ordem: Entrevista Familiar Exploratória Situacional (E.F.E.S.), Anamnese, Entrevista Operatória Centrada na Aprendizagem (EOCA), Complementação com provas e testes (Provas Operatórias, Piagetianas e Pedagógicas), Síntese Diagnóstica (prognóstico), Devolução (encaminhamento).
Para se conseguir uma escuta neuropedagógica necessária é preciso atentar-se a cada detalhe trazido pela criança, o diagnóstico não se firma na queixa, mas parte dela, para além do que ela pode mostrar. Segundo o pensamento de Alícia Fernádez (1991), é necessário muito mais que somente um simples observação e uma atenta escuta e imprescindível, é preciso que se olhe e se escute além dos sentidos naturais, daquilo que está explícito. Pode-se colocar alguns destes aspectos como a relação entre produção do paciente e de sua família, lapsos, cortes, reticências, repetições, das frases incompletas, omissões e alterações, dificuldades na expressão, da forma metafórica para referir-se a uma situação, discurso lúdico, verbal e corporal.
Ao analisar uma determinado paciente é preciso desenvolver um diagnóstico maduro e consistente que gere em cada ação a possibilidade de gerar o estímulo e a resposta nas potencialidades da criança ou adolescente, dando ao mesmo os mecanismo de interação com o neuropedagogo, na construção de um atendimento eficaz.
REFERÊNCIAS
FERNÁNDEZ, Alícia. A inteligência Aprisionada; Tradução Iara Rodrigues.- Porto Alegre: Artmed,1991.
WEISS, M. L. L. Psicopedagogia Clínica: Uma Visão Diagnóstica dos Problemas de Aprendizagem Escolar. Rio de Janeiro, DP&A, 2000.



